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sábado, 31 de dezembro de 2011

.Porto de Esperanças

"Sou uma mistura de (des)ilusão e esperança. Há quem diga que isso não exista, mas eu digo que sim e por experiência própria." 
(Bela Malta)

- na espera do marco imagético-
-Eis que é chegado-
Foto: Rafael Rodrigues

Era fim de ano e se iniciava mais um recomeço de dias... Eu partia para vida como quem sente o cheiro do mar e não resiste a seu convite, era um dia como outro qualquer e não existia expectativa alguma em mim, nem planos, nem projetos, nem demandas, não porque não houvesse esperança, mas por que eu havia escolhido ser surpreendida, viver e sentir a experiência de viver, sem receios e frustrações. Carregava comigo apenas a esperança de que nada era impossível... Eu nem ao menos sabia o que era possível, nem mesmo sabia das impossibilidades, a vida ao meu redor me chamava para viver e eu como criança ansiava brincar com ela, brindar o que eu já tinha, porque o que eu não tinha eram paginas ainda não folheadas já pensadas por uma mão poderosa que se estende sobre mim todos os dias e que me alcança pela Graça, mas que por mim serão escritas a cada respirar, passo a passo. Certa de que precisava me empenhar nessa tarefa, eu, dentro de mim tremia e expirava tudo para fora.

sábado, 17 de setembro de 2011

Impostore: sobre quem não somos


Eu fico imaginando que resposta eu darei quando te encontrar e não te reconhecer. Pois só em mim existe. E em mim existe um espaço que é seu. Esse espaço não existia, nem tão pouco existe. Sou apenas eu e um  lugar que não é. Então decidi enfrentar a desilusão de não  ter e nunca achar em meio uma multidão de conhecidos e desconhecidos um "impostore".
Ao meu lado direito, singelamente fora de um espaço de separação, matematicamente próximo e afavelmente distante do tempo em que apenas imaginávamos a existência um do outro permanecendo a vagar pela vida como peregrinos e forasteiros na esperança de dar por um breve período de tempo a um ser também insignificante nossos dias de amor e ódio.

domingo, 4 de setembro de 2011

Simples assim.

"Não vou mais abrigar pensamentos que não forem saudáveis."
 (Elizabeth Gilbert)


Simples assim: dias de ignorância acabam com a simples compreensão da coisas, ou quando se é convencido de algo que você no minimo tinha uma leve noção. As vezes você é o grande responsável por este passo imenso na sua vida, outras vezes você é induzidos pelos fatos extremamente claros que lhe saltam aos olhos como cangurus. O fato é que esses dias são acompanhados de uma imensa satisfação, você esta a partir de então desacorrentado de suas próprias ideias sem fundamento real, livre para não ser nada. Não ser nada já é de bom tamanho, não ser nada já é bem melhor do que achar ser alguma coisa.

domingo, 28 de agosto de 2011

Domingos tristes



"Vontade de ser encontrada em uma multidão de vazios, vontade de que fosse agora e para sempre."
                                                                                      (Cáh Morandi)


Apenas mais um amanhecer como outro qualquer, mais algumas horas acrescentadas a semana, aos meses, aos anos...
Mas parecem.... Diferentes, sem obrigações fáticas, sem grandes motivações. Dia para permanecer em companhia aconchegante da cama, lençóis e travesseiros. Sem conversas ou discussões, na companhia de si mesmo, olhos tristes que não alcançam o horizonte emparedado das construções urbanas, de um quarto sem luz e uma tênue linha parece dividir o você desse dia daqueles que te são no resto deles. 
Nesse dia você não acredita em muita coisa e não te interessam sua eternas indagações, nem mesmo tuas certezas, só permanece você e parece não ocupar teus vazios, os teus continuam ao redor, sempre lá, mas tão distantes.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

.Num simples “Aqui”

"O tamanho e o grau da solidão variam de acordo com o tamanho e o grau das escolhas que precisam ser feitas [...] a má escolha leva ao arrependimento que também é solitário e cruel, pode demorar pouco ou demorar o resto da vida, equivale a dobrar a esquina errada. De qualquer forma, há de assumir a solidão que levará ao acerto ou ao erro."
 (Carlos Heitor Cony)

Que rumos tomar? Nos períodos de decisão é difícil existenciar aqueles sentimentos, pensamentos que nos fazem debater-nos em dúvida, para os que de fora olham-nos em nossas angústias a eles essas parecem infimamente pequenas desmerecedoras de prece alguma.
Sentir-se na reta final de um período único na vida se transfigura num lugar tão prenhe de ambigüidade, pois se sabe exatamente o que se quer, o que se pretende, que possíveis caminhos se quer andar, alguns dias sabe-se até até onde se quer chegar.
Você pinta diante de si a existência que te trará mais regozijo, simultaneamente sabes e tem até a certeza que aquilo que achas querer não é necessariamente aquilo que queres e que teu querer é por demais complicado e nem a ti mesmo consegues esgotar. Nem o teu ser por inteiro consegues desvendar, tu não te cabes, tu és sempre mais que aquilo sobre o qual tu podes saber, todo teu conhecimento te escapa e até suas palavras falam de tantos eu’s que te perguntas se é tu mesmo quem vês escrever.
            Não é a dúvida da existência, para saber se tu és real ou não, ou se teus sentidos te são fiéis ou te enganam a cada minuto, como retrata nosso conhecido filósofo, mas as duvidas que se instauram te falam das palavras, das tuas e dos demais, se nas palavras do outro eu sou mais eu que em mim mesmo, eu sei mais de mim no outro que em mim. Apenas resta questionar: onde eu fiquei? E te esmera em te busca...
Que malogro de projeto! Até quando vais te busca dentro? Quem tu és esta aqui, bem aqui. Uma vez me disseram e estas palavras eternizei em mim e em folhas de papel: “[...]‘nós não estamos perdidos, nós estamos aqui’... Nos esquecemos o que é o aqui, o aqui nos faz”. Concluo: cansei e vou sempre cansar de me buscar em mim, toda vez que me ver tentar, de novo e de novo, vou me lembrar que eu estou aqui e bem aqui eu me sou, me fui antes e serei depois, mas nunca, nunca mesmo um eu só e em mim nada vou achar, pois talvez o em mim não exista mesmo pura e simplesmente.
O mim mesmo assim tão diverso e os seus gostos assim tão mutáveis, seus quereres assim tão complicados te mostram o teu aqui que não precisa ser um, nem ser ao menos de um só ele é de tantos e de tantos se colore se enegrece, mas não deixa de ser existência, de pessoas de carne e osso, decidindo e decidindo a todo momento, se auto-autorizando a existir, d-existindo e existindo de novo, se afirmando num constante processo de vida.
Eu ainda não sei que rumos tomar, nem sei muito sobre o meu querer, mas pelo menos sei onde buscá-lo e pelo que buscar e com certeza não é por mim mesma. 
Bela Malta

domingo, 12 de junho de 2011

Degeneração e Ressurreição da Vida



Qual o sentido da vida quando já se viveu todos seus dias e já se espera a morte? Não há mais a labuta de todo dia, não há a prole para alimentar, não se tem mais tanta força para se sustentar a si mesmo, não se pode mais comer de tudo a qualquer hora, suas funções já não mais te obedecem, seu corpo já não é o mesmo e as dores lhe são uma rotina eterna. O que se tem quando já se perdeu quase tudo que um dia valia a pena. Quando só te restarem lembranças e uma vida vivida atrás de você. Quando já não se acredita mais em certas coisas, você já sabe exatamente aquilo que é e o que não é. 


Não se sonha mais, já sonhastes um dia, hoje você só vive, pois não dá tempo de esperar mais por sonho algum, tu te ver nos jovens, cheios de esperança, expectativas por uma vida que tu já conheces bem. Vives cada dia, dia após dia, te lembras sempre do teu fardo que em velhice carregas. 

O que há ainda para se achar? Você já se viu em todos os espelhos? Já provastes todos os gostos? Já amastes todos os rostos? Serviu-te de que tua nua existência? Como será que você a cobriu? Os enfeites que ela obteve foram muitos, mas eu não poderia dizer por você de que eles foram feitos, só tu me podes dizer...  

Me digas do teu sofrimento. Sentistes ele por completo? Chorastes todas a tuas lagrimas? Se fizestes isso nessa tua vida já tens quem te aplauda.  Indago-te sobre isso, pois acredito que o tamanho das tuas lagrimas dizem da imensidão das tuas alegrias. Não me perguntes o por que! Só te adianto que se tiveres coragem suficiente para sofrer terás coragem também para ser feliz. 

Não digo mais no passado, o que tens hoje não são apenas tuas dores, teus músculos entravados, tua memória falha, tua face caída, tens a vida, ela ainda pulsa em tuas veias, se teu futuro é curto tens um passado imenso passado há tempos atrás e este mesmo te mostra o futuro. 

O que foi a vida pra você, te molhastes na chuva, encontrastes um grande amor, criastes para ti um robi? Se na longuitude que ela teve ela não foi não perca de vista o que ela pode ser.  Ressurgir em sua degeneração de todo dia é êxito de poucos, recriar-se a cada acordar é um meta de menos ainda. Queria ver-te nesse espelho diferente do que te vi ontem, pois tens a vida a passar.


Bela Malta

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Pesadelo

Pensava que a felicidade é uma escolha, ao escolher ser se é, mas começou a entender que de fato não pensava errado, pensava certo, mas pensava demais, não precisava pensar tanto. Deixou de pensar por um tempo se entregou ao impensado. Sorriu os melhores sorrisos, vestiu suas melhores roupas, deu seus melhores abraços, compartilhou seus melhores silêncios. Ora ou outra voltava a pensar, mas não deixava que seus melhores pensamentos ofuscassem seus melhores impulsos despensados, mesmo pensando conseguia ser o que talvez nunca tenha sido.

Quanto do escolher se convenceu de que escolhas não são mágica, que felicidade não é tão simples assim e se deu conta que podia decidir ser o que quisesse (todos podem afinal), mas é a decisão tomada que diz do que um dia se será. Dentre tantas escolhas possíveis escolheu uma e percebeu que não é apenas escolher, mas escolher certo que conta.

Sentiu um pequeno oco do tamanho de uma agulha, como se esta estivesse em si e em si perfurasse e não parasse de ir cada vez mais fundo, não precisava mais de fato pensar só restava doer e de dor ruminava suas escolhas e via que ainda assim pensava e pensava sempre demais.

Não parava de pensar mesmo enquanto doía e pensava que as lagrimas que furavam por dentro poderiam sair nas palavras, buscava enxotá-las de si, elas insistiam em ficar. E o oco, tinha certeza de que no outro dia estaria maior, então adiantou o acontecido e pediu a Deus que pelo menos a deixasse respirar quando acordasse. Não pedia que fosse feliz naquele dia, não ousaria tal pedido.

Ousar? Não, não ousou nada. Quer dizer, ousou escolher. Sentia-se uma escolhedora nata e das que fracassam com uma agulha no peito e perguntava-se se ela sairia de lá, se amanhã respiraria.

Sim! Respiraria, e precisaria respirar bem fundo, mas bem fundo mesmo para ter coragem de acordar. E de ousar fazer escolhas nos dias que viriam pela frente.

Deu-se conta que não era boa nisso. Queria parar de escolher, mas continuou escolhendo, sempre escolhendo. Queria escolher deixar lagrimas no travesseiro, mas elas continuavam a furar-lhe o peito e via que não tinha escolha quanto a isso. Não podia ousar não doer, ousava, mas não tinha escolha isso era inevitável. Podia pensar, escolher, mas ainda assim doía.

Que dor dói mais? A dor de escolher ou a dor da escolha? A dor de escolher, pois mesmo não escolhendo se escolhe não escolher. E partia pensando que escolhendo não fazia mais que pensar e desejava parar de pensar, desejava não poder escolher, queria não ter escolhido nada.

Escolheu continuar a doer, isso a lembraria que esteve feliz antes de doer. Não escolheu ser feliz como achava que se escolheria, veio por conseqüência de outras escolhas, sem pensar na felicidade foi feliz, foi feliz sem escolher, escolhendo foi feliz. Talvez pensar não seja tão ruim, seja apenas doído.

Era o fim daquele dia e precisava dormir, dormindo escolheria sonhar com aquilo que não se realizou na realidade. Talvez sonhasse, seria feliz em seu sonho.
Que seu coração chore toda vez que lembre que já esteve voando.

Então ela acordou:
-Foi apenas um pesadelo!
Bela Malta

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sempre ao seu lado

Por quanto tempo esperamos por quem amamos? Por um olhar uma palavra ou mesmo a simples presença?
Talvez pouco esperamos ou pouco nos lembramos que a vida prossegue por momentos e nem todos eles se encaixam perfeitamente...

Ao terminar de assistir um filme tão belo quanto um momento único numa vida percebi coisas novas. As quais sempre gosto de concretizar em palavras, embora o momento de criação seja sempre difícil e nem sempre realiza o que no inicio nos propomos, ao termino sempre sinto um alívio e a falsa sensação: “acabo de eternizar mais um momento”, mas a questão é:  momentos nunca são eternizáveis e nunca voltam, apenas passame deixam suas migalhas pelo chão, nunca reencontraremos sensações perdidas, mas podemos sentir que de fato existiram e que são inesquecíveis.

Tenho um péssimo defeito, me envolvo demais com filmes, livros, músicas ou qualquer outra manifestação humana que não esteja ocorrendo na realidade. Por isso  é comum me pegar chorando demasiadamente experienciando esse tipo de coisa. Jurei para mim que não iria mais assistir filmes de drama ou qualquer outra coisa que contenha elementos emocionais demais. Rsrsrsrs... Bem, não cumpri minhas promessas. Afinal de que vale a vida se você não se envolve com ela? Mas antes se envolver com filmes do que com a realidade do sofrimento cotidiano... Pior ainda é se envolver com os dois! (risos)

A vida é curta, passageira e nela somos apenas passageiros. Há quem diga que podemos dirigi-la para onde queremos. Já eu diria que podemos escolher em que vagão ficar, em que assento sentar ou talvez em que estação descer, mas uma hora ou outra sempre voltamos  ao trem e ele a todos leva a um único lugar. O certo é que todos um dia partiremos dessa para uma “melhor”, e muitos de nós deixarão os o que aqui ficarem numa pior. Entenda-se melhor e pior apenas como figuras contrastantes, vamos deixar categorias de mais ou menos pra lá, e seguir.
Todos caminhamos com o mesmo fim, para além de um amanhã desconhecido e um futuro “eterno” temos uma estrada a trilhar aqui mesmo...

O Filme da qual falo trata de uma adaptação de uma história real de lealdade e companheirismo entre um cão e seu dono e os momentos que se seguem desde antes o encontro dos dois até o ultimo encontro. Hachi foi encontrado pelo professor  numa estação de trem que a partir de então faz de tudo para encontrar seus donos, no fim não se descobre o paradeiro do animal e este passa a fazer parte da família. Hachi de uma linhagem japonesa rara obtém seu nome de  sua coleirinha onde está desenhado o símbolo chinês que representa o numero oito e simboliza o que é eterno aquilo que ao subir toca o céu ao descer a terra.

Entre os dois se desenvolve uma relação tão forte que nem a morte conseguiu separar. Depois da morte de seu dono, esta a qual o animal conseguiu sentir de alguma forma miraculosa, Hachi prossegui diariamente esperando o trem que sempre trazia de volta seu grande amigo. Neste momento me recordo de Baleia de Graciliano Ramos sonhando com preás e consigo sentir a dor de Hachi que no filme, e que personificado em figura humana fez daquela trama para mim uma das mais tristes e desconcertantes. Não me conformei, me inquietei e tive vontade a todo o momento de desligar a televisão. Hachi estava só no mundo, o ser a quem tanto teve devoção não voltava, não voltou jamais, mas todo o dia a cada som do apito do trem estava lá ele a esperar, pacientemente durante longos dez anos, no mesmo lugar na mesma hora... Ele nunca voltou, mas Hachi pode vê-lo de novo em seus sonhos e assim adormeceu.

“Por que não importa para onde eu vá sempre terão aqueles que estarão lá pontual e eternamente”
(Sempre ao seu Lado)

Talvez pouco esperamos, talvez pouco amamos...
Bela Malta

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

PROJETOS INACABADOS

Ronie: É isso que eu faço, mãe. Eu afasto as pessoas de mim...
[...]
Mãe de Ronie: Você não é perfeita. Ninguém é perfeito. Nós cometemos erros, fazemos besteiras, mas depois nós perdoamos e seguimos em frente. Meu amor, pelo menos você tem a coragem de sentir. Você sente tudo tão intensamente.
(A ultima música)

É possível voltar a trás... Não preciso seguir sempre em frente e nunca olhar para trás, é possível voltar e consertar os erros do passado. Não preciso deixar sempre algo a ser terminado, algo não findado, amontoar pendências que eu nunca consertarei... Não quero projetos inacabados, vidas incompletas, sorrisos como fachada. Eu preciso voltar, eu preciso de vocês, preciso rever minhas decisões, minhas escolhas, minhas palavras. Eu preciso aprender a mudar, a reconhecer que não estou certa o tempo todo, embora o tempo todo saiba disso. Não é sinal de fortaleza conviver com meus erros e com as conseqüências deles, bem como conviver com os seus erros como se eles fossem imperdoáveis, mas é ser fraca, e não ousar lutar pelo amor. Precisamos de uma chance... Eu to ficando adulta e continuo repetindo a mesma historia inacabada, os conflitos não resolvidos, a lagrimas não choradas, continuo não terminado meus contos, minhas coisas. Vocês não sabem quem eu sou. Conhecem apenas um carcaça velha dura de orgulho e tristeza, eu juro que eu não sou isso. E eu no fundo acredito que vocês não são esses com a qual eu convivo diariamente. As pessoas são sempre mais do que a vida fez com elas, elas são aquilo elas fizeram com o que foi feito delas... A tempo eu tento desvendar por que não consigo chegar ao fim de nada, sempre em parcelas sempre inacabadas. Eu deixei pendências no passado, dores no passado, rancor no passado, num passado não resolvido, que eu prossigo tocando pra frente, para um dia a mais. Eu não conheço vocês, eu nunca tentei conhecer, era como se fosse minha vingança, não deixar que soubessem de mim e nem eu saber nada de vocês. Eu afasto as pessoas de mim... Mas eu sinto e sinto sempre... Perdoar por mim mesma, nunca serviu de incentivo pra mim, afinal de contas, eu não liguei muito para mim mesma. Um orgulho inquebrantável me faz seguir sempre em frente e não olhar atrás, tropeçando sempre nas mesmas pedras, caindo sempre dos mesmos barrancos, sofrendo sempre as mesmas dores, sem desviar do mesmo caminho, me jogando dos mesmos abismos... É mister mudar de rota!  As pessoas precisam de suas famílias para ser felizes, precisam se sentir parte de algo maior que elas. Embora minha vontade seja sempre fugir, deixar sempre algo a ser acabado, esquecer, esquecer, perder as palavras, o raciocínio, apagar a lembranças, jogar fora minha historia e começar de novo num lugar bem distante. A asa da minha galinha sempre vai ser a mais quentinha, posso ate achar outros abrigos, outros aconchegos, mas eles nunca serão como o meu lar. Eu preciso de vocês! Eu nunca pedi, sempre achei que não era mais que obrigação por serem meus pais. Mas hoje adulta eu preciso pedir para ter, perdão para receber. Preciso terminar o conto da minha história.Nunca garantiremos concordia o tempo todo, nem mesmo o compactuar das mesmas opniões, dos mesmos pensamentos, chega uma epoca que os filhos precisam ousar e sair do casulo, mas voar por ai com asas feridas não fará com que esses voem muito alto, uma hora ou outra vão cair por ai numa imensidão vazia, bem longe do casulo...  



quarta-feira, 6 de outubro de 2010

GOSTO AOS POUCOS, MEIO SEM GOSTO E PASSO A GOSTAR DESCONTROLADA

 "Em vez de tentar tirar os pensamentos da sua mente na marra, arrume alguma coisa melhor para sua mente brincar."
(Elizabeth Gilbert)
 Ao ir hoje para a universidade pensando, pensado, dialogando comigo mesma, com um outro de mim, com meus interlocutores mais fiéis, que muito me divertem, com quem eu gasto a maior parte das minhas interrogações.  Não sei ao certo como em nossa conversa chegou-se nesse assunto mas sei que discutíamos sobre quem sou, quem  fui (para tais isso é interessante). Existem aqueles que diriam que a vida como um todo é um grande repetição, que repetimos ao longo dela as mesmas afinidades, gostos, desejos e inclusive erros, que estamos fadados a perpetuar uma mesma existência toda a vida. Afinal de contas nos desenvolvemos ao redor de uma estrutura formadora e embasadora. Tem lá seus sentidos, mas seria uma grande redução das possibilidades humanas... 

Bem, mas o que hoje me surpreende são as discrepâncias que se apresentam entre o agora e o que passou. Os novos valores que atribuo as coisas, como quem eu sou hoje tem haver com as pessoas que fizeram parte de mim um dia, como meus sonhos e projetos ainda que divergentes do que foram a um tempo atrás estão impregnados daqueles momentos, daquelas questões, daquelas discordâncias, daqueles partilhamentos, mesmo sem perceber a gente se impregna do outro de suas perspectivas, de suas paixões , de seu trejeitos, nas dinâmicas das intersubjetividades as individualidades se perdem, se refazem, se reconstituem constantemente. Ao olham pra dentro (dentro?) tenho expectativas que nunca existiriam se não fosse a presença de algumas pessoas, para me ensinar que sonhar é preciso, amar é possível, chora inevitável, tantas outras coisas. É assim que levamos conosco pessoas que se foram que ficaram e que se presentificam todos os dias.

Esse texto era para falar de mim, to começando a perceber através de pessoas que atualmente estou tendo o prazer de conhecer que não falo tanto de mim quanto eu tenho a impressão, que aqueles limites não são tão fáceis de romper, falar de mim mesma para aqueles interlocutores fieis é fácil, para outros fora da pele é mais difícil, esse mim fica tão solto, tão fluido, tão superficial, que o transbordar de palavras só dá indícios. Vou dando indícios me achando para ser achada, me fazendo, refazendo , sempre e sempre, todos os dias os momentos, a vida toda. Sou uma pessoa!

No todo gosto de gente, de pessoas, não quer dizer de todas nem de todos os tipos, mas a maioria sim. Gosto de presença, de conversa, de sentar ao lado, segurar na mão, meche no cabelo, estralar os dedos, fazer cosquinha, gosto de ta sempre perto, gosto de ombros, de mãos, de sentir as batidas do coração, gosto de mensagens, adoro receber ligações, adoro ser lembrada, adoro dar uma de intelectual, de falar besteira e rir de bobera, gosto de falar de Deus, falar com Deus e perceber a vida por um ângulo que só em Deus é possível achar, não gosto de solidão, goste de ter amigos, de sonhar com um grande amor, gosto de filmes de romance, filmes sobre a vida, filmes sobre as guerras, gosto de dramas em dias amenos (rsrsrs), gosto de boas companhias, de estar com pessoas que me deixam nervosa, gosto de perder o controle, de não ser controlada, de me deixar ser levada, gosto de lembra que sou gente, gosto de cultivar princípios, possuir valores, valorizar simbologias, gosto de ter fé, de acreditar, mas gosto de duvidar também, gosto de desenhar, de escrever , de dançar, gosto de pelos movimentos mais inusitados sentir o estralo de cada parte do corpo, de sentir o vento refrescar o rosto e balançar os cabelos, molhar a os pés ao movimento das ondas, não gosto de ver pessoas sozinhas, não gosto me sentir sozinha, para finalizar gosto de palavras, de sentimentos, de pensar, de afeto, de toque, no fim tudo tem significado, são linguagem...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Impessoalidade

Existem dias, tempos, épocas que tudo parece escuro, triste, sem cor, sem perspectiva...
Dias nos quais mal se enxerga a um palmo de distância e o que se vê não é tão agradável, já não é mais tão belo... Qualquer mínimo esforço parece uma eternidade de sacrifício, acorda de manhã e seguir suas meras obrigações diárias já não trás contentamento algum. Quem você é já não agrada mais. O pulsar do animo esta nas ultimas e busca-se a todo custo motivos outros para começar do zero...
Sem nada concluir dessa inabilidade de lidar com a vida limito-me a pensar na possibilidade de formatar em mim mesma novas formas de ser. Ou de não-ser? 
Tanta impessoalidade! Por que não falar de um eu, de um eu que sofre, ao invés de pluralizar uma fala? Qual o problema de admitir fraqueza quando essa sobra nessa ínfima vida? Por que achar explicações plausíveis pra desmerecer a dor, desqualificá-la, encobri-la e por fim matar qualquer possibilidade de seu fim? Por que sorrir se dentro um choro desconhecido quer exalar-se? Se minhas convenções me impedem de nada sentir, de não ser, de chutar pro ar tudo que ofega a respiração... Se a dinâmica da vida traça os meus passos e não tenho neles escolha alguma, que escolhas são essas que se precisa tomar pra aprender a viver?
Escolha de permanecer sem escolha pra não sofrer coma a inaptidão de ser, ou de não ser nada do que se espera, esperam, esperamos... Se o outro de dentro não entende quanto mais os de fora.
Se são apenas sentimentos sem lógica, sem razão ou explicação por que são tão coerentes com o que se não tem, com a ausência de sentido, logo um sentido da não coerência, da falta, da ausência, da necessidade?
Não é para ter lógica, estrutura racional ou semântica é apenas o que de fora desregulado imprimiu-se no que está de dentro...  “é apenas mais um gota salgada que se esmera a fugir ganhar o mundo” e cessar com a dor do interminável sem sentido...


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