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domingo, 1 de janeiro de 2012

Lençóis verdes



“Eu gosto das lembranças. Eu não lido bem é com a saudade.”
(Camila Costa)



De tanto te esperar me fiz paciente
Na demora de vir me fiz descrente
De tanto tatear me fiz perito
Por nunca te achar me demiti
De tanto caminhar conheci o mundo
Por nunca te achar perdi-me nele
Fiz promessas ao vento que te trazia
Nos braços da minha incontrolável imaginação

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Porquê ao amor

"Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida." 
(Pablo Neruda)



Eu não amo ninguém,
Nem tão pouco quero amar
Aqueles que dizem fazê-lo,
Ou que mesmo sem dizer
Dizem coisas que eu finjo não entender.
Por que para mim vagamente elas existem.

Não entendo como pode ser tão fácil assim o amor
Escolhes a dedo ou nem mesmo escolhes
Não quero meu coração em quaisquer mãos
Não quero meus sentimentos impressos em qualquer papel
Não quero meu suor em qualquer investimento

domingo, 18 de dezembro de 2011

Jardim secreto

Os melhores sorrisos são aqueles que surgem quando ninguém está vendo


Todo mundo é um jardim secreto,
olhos só enxergam por fora.
Quando faz frio dentro da alma
não há pessoa que te possam agasalhar,
te aquecer em teu sofrimento dismórfico.
Nos escombros da noite
te encontra a sós consigo mesmo
e com o frio que nem os que de perto passam conseguem sentir.

Quando teus olhos se perdem no horizonte
e não vão muito longe,
apenas até aquele lugar em você
que desconfias sobre ninguém mais saber o caminho.
E que é para onde vais quando o mundo se embaraça aos teus olhos.
E é onde fica para que ninguém mais te veja.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Minha verdade


Eu tento reformar,
Escrever aquilo que um dia me fez encantar.
Amor não é apenas sentimento;
É compreender, transformar;
Dedicar e compartilhar.

É atitude, é ação, é decisão.
É preciso pensar, acordar.
É preciso rever.
O tempo, não volta;
Mas o futuro é possível reescrever

Vamos acreditar.
Pelo começo, podemos começar.
Porque entre sonhar e recomeçar;
Eu prefiro reconquistar.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Horizontes


Quem não entende o coração poeta
Pensa que ele quer respostas, explicações...
Mas ele quer sentir

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Av

Em uma madrugada de um fim de agosto... Dizia-se:


– Meus eu líricos são sempre tantos e desconcertantes que...
– Para de poetizar a vida! Pelo amor de Deus. Você não cansa? Vive tua verdade nua e crua!
– Essa é a minha verdade.
– Não existe eu líricos, nem flores, nem construções, nem amantes incuráveis... Só existem pessoas, pessimamente pessoas sem eira nem beira.
– Mentira! Existe a poesia que não tem fim. Ela produz sorrisos e esperanças.
– Porra de poesia! Vai te entreter com coisas de carne e osso!
– Pessoas não são coisas! Não se deve manter alguém tão perto e depois tão longe que a faça sofrer.
– Seu imbecil...! Quem falou a você que existe proximidade? Quem falou que há amor?
– É algo que está sempre implícito nas relações, mas não deixa de ser patente...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Mesmo Chovendo

e nesse dia ela me disse: quando penso no conceito de amor, sempre me lembro da chuva e das vezes que nos arriscamos a ela quando um algo ou alguém muito nos importa. 
(Para minha inspiração do #dia. )














Mesmo chovendo...
Mesmo chovendo...
Eu vou.
La fora pode chover
aqui ainda faz calor

Mesmo chovendo...
Ainda assim eu vou
mesmo que chova e que o céu se enegreça
estarei lá na hora marcada

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Com reticências


[Foto: Junia Lane]
Meus olhares escondidos.
Com a cara na vida.
Retribuo a luz que recebi.
Com meus versos contei de mim,
do não-ser que esteve em meus ombros.
Articulei as mais belas canções
partidas do mais profundo da alma.

Com o pé na estrada,
me despeço aos prantos. Mentira!
Não se esculta prantos,
só passos em direção à janela,
à porta, à saída.
Não se dá adeus quando se pretende voltar,
nem se volta quando nunca se foi,
mas a sem volta ida
mostrou que as voltas consigo mesmo
se encontrou em todo tempo

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Inconcretude




E as dúvidas pairam no ar
e não há nada de concreto em que se agarrar
só existem memórias ralas de frases lidas sobre a matéria inerte
que só te fazem querer uma proximidade que não existe

Você se pega sonhando com seus proprios personagens
que são sombras distantes de uma verdade palpável
e mesmo assim está sempre com você
te acompanha nas ruas, nos ônibus,
no teu quarto, na faculdade, onde quer que vás

Uma companhia agradável e inquietante,
que te ergue e desmorona,
te enche de luz e de escuridão,
pois nada enxergas a um palmo do nariz.
Por que tudo esta na sua mente,
em um dimensão que teu corpo não alcança.

Tuas incertezas já não te abalam
e voce teme isso,
pois ela sempre foram suficientes para te frear
mas agora você continua
e elas não te alcançam

Agora delas tu és o dono
e elas já não te subestimam,
pois com sinceridade lhes afirma
que nem a escuridão te pode parar.

Elas impotentes, destituídas de gloria e esplendor
arrastam-se por entre tuas palavras mais insanas
e as solidificam em teu coração
que bate acelerado e do lugar parece querer sair.

E nesse momento teu corpo te alcança.
Sabes estar vivo.
E em passo ritmados com teu coração dorme mais uma noite
e acorda como se nada tivesse acontecido
só ele que não quer parar de bater...

(Bela Malta)

Respirações



Será que pensas em mim como penso em você?
Eu nunca pensei tão livremente em alguém
como penso agora.
Não me é esforço pensar em você

É fácil, e escrevo poesias 
sem pensar duas vezes se elas são reais.
Simplesmente fluem,
e passo a entender o que alguém que me amou 
disse um dia para mim:

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Poesia

Gastei uma hora pensando num verso
que a pena não quer escrever
No entanto ele esta cá dentro
inquieto, vivo.
Ele esta cá dentro e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
(Carlos Drummond de Andrade)


sábado, 30 de julho de 2011

Soneto de contrição


"Sendo o fim doce, que importa que o começo amargo fosse?"

(Shakespeare) 
Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma o teu encanto.

Como a criança que vagueia o canto
An te o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.

Não é maior o coração que a alma
Nem a melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma...

E uma calma tão feita de humanidade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida
(Vinícius de Morais)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Águas torrenciais


"As palavras fogem se você deixar"
 (Vanessa da Mata)

Alimentando com palavras - como as águas torrenciais de abril - as flores que nasceram sem querer. E como essas águas devastam plantações inteiras lá se vão com espirito de poeta abrir-se a uma imensidão desconhecida, de possibilidades refratárias - avessas...- falíveis. Tu me contas depois quando eu voltar da enxurrada que eu me deixei levar se ainda restam flores para eu colher.
Bela Malta

domingo, 24 de julho de 2011

Isso


Queria mostrar isso ao mundo
Mas nele não cabe nem eu nem isso
Isso vem depois de mim
Em mim vem colado isso
Não larga
Até por que eu não largo
Agarro e aperto com força
no peito, na pasta, na pupila
Na pupila vai o brilho que isso causa
e a causa disso a muito eu desconheço
Só sei que isso é meu
Se alguém quiser isso eu prometo que não vou dar
pois isso eu não dou a ninguém
Não largo por nada isso
Nem nada que isso se torne será suficiente 
para me tomar o que isso deixou em mim
E disso tudo concluo
que nisso tudo faz sentido

Bela Malta

domingo, 12 de junho de 2011

Dos parasitas acadêmicos



A passos espaçosos caminham por entre a multidão dos grandes e dos pequenos grupos, se ocupam de perscrutar suas histórias, seus trajetos e desejos. Mostram seu interminável interesse, escutam atentamente, demonstram entender de forma tão profunda e compreensiva.
 Quem os encara os vê e os diz: 
- Tão humanos que são! Nunca tivemos quem se interessasse assim por nós... 
Descomprometidos com a politicagem, com a barganha dos coronéis dos planaltos. 
Comprometidos com seus currículos, com suas notas, com o status acadêmico, com os coronéis do saber. 
Ocupados em dizer com belas palavras aquilo que já foi dito no solo fértil do cotidiano. 
Esnobes em seus conhecimentos se emprestam a farrapos para dos pequenos arrancar as pérolas de sua vivência, sugam-se as ostras e das pérolas fazem lindos colares para embelezar seus pescoços longos e vistosos.
Aqueles lá que emprestam-lhe as palavras continuam lá, ficam por lá mesmo não sobem as alturas, prosseguem em sua simples existência, continuam a travar suas lutas, lutam para estar ali, lutam por estar ali, lutam para serem dignos de suas palavras aos acadêmicos. Estes fingem que entendem. Prosseguem fingindo que de algo sabem, mas pouco sabem da vida. 
A vida esta sempre lá, junto as pessoas. 
De longe eles a querem tê-la e até quando chegam bem perto não enxergam a um palmo de distancia.
 Onde ficaram as tuas lutas, onde está a tua vida? 
Ficaram em alguma parte do tempo, atrás deles, pois eles estão acima do tempo, do seu tempo, dos seus próprios desejos. 
Eles são acadêmicos.
Pobres acadêmicos!
Pelo menos eles vivem e vós que fazes do brilho que recebes em teus currículos? 


Bela Malta

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Delírios


Nunca acredite em quem te promete o mundo
Mesmo que você não acredite aquilo sempre te preenche de alguma forma
Agarra em você e não sai sem algumas lágrimas e gotas de sangue
Você sempre sabe sobre aquilo que vai te ferir
os temores que pareciam delírios se tornam reais
E te esmagam sem fazer barulho sem alardeá
Provavelmente nunca você será o mesmo
agente nunca é o mesmo.
Tanto cuidado, tanta reserva, simplesmente para roubarem mais um sorriso
Daqueles que eram difíceis de surgir
Mais um conto aos ventos.

O doce som da verdade sempre chega em momentos inoportunos
Te arrebata das ruínas da mentira e te entrega a um deserto sem música
Foi mais fácil acreditar nessa doce loucura...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Das figuras às vidas


"É Deus que te faz entender toda poesia, e torna mais valiosa a vida, e prova que ainda dá pra ser feliz. Apenas atenda quem chama, e percebaque só ele pode compreender o seu interior e a suas dores afastar, o seu sonho realizar, a sua vida transformar. Basta que você entenda..."

(Rosa de Saron- O sol da meia noite)

"A vida me ensina e me destra e me afundo e me enterro nela. O amor é superior a dor, o sabor (dele) é superior ao amargor"
(Jonatas Ferro)

Quando da vida não se vê luz
Nem luz dar-se à luz na vida
E viam-se ao sabor da vida, sem vidas, vazias
Dá dó de si e dos demais do outros de si e dos outros poucos
Dos que se vão e dos que ficam
Dos que se movem e dos que estatelam  

Na frenética busca de reinventar novas realidades
Dar-se luz a poesia
Reinventando-se a vida
Reescrevendo a dor
Remodurando as alegrias
Potencializando os sonhos
Amanhecendo com a vida de cá e de lá
A de depois que não tarda em vir

Continuavam a ver-se entre vidros
Embaçados e turvos e não restava mais alternativas
Criar figuras e fazê-las viver dentro de nós em nossas mentes
Fazê-las reais tornando-as nossas
Vividas no “entre”  
entre nós e entre todos
Bela Malta

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Mu-dança

Numa noite sem sono... Ela não sabia bem o q pensava, nem o que sentia.
Depois de tanto tempo sem as lagrimas, que com tanta força lavam a alma, deixar exalar, redeu-se aquela sensação que não era tristeza. 
Temeu sua propria vontade, seus proprios desejos  a traziam medo. Dar mais um passo era seu destino...
Temeu o fim como bem queria, temeu comprovar que tudo é substituível, como é.
Temeu o que mais queria.
Por um breve momento recuou em seus pensamentos.
E seguiu seu caminho com uma coragem distinta das demais.
Chegou a sublime conclusão de que as voltas, os altos e baixos fazem todo sentido, que nem tudo é perfeito nem único, tudo é mutável é mudado e tem um fim.
E que pra tudo na "vida" tem recomeço, pois não há fim que não produza  inicios, e inicios que não tenham um fim.
Que a vida vinhesse, pois ela estava disposta a abraça-la como quem não tem medo, como quem ousa e se empresta a novos horizontes.
Finalmente ela estava por assim dizer contente por seus medos serem portanto, o estopim da Mu-dança.
Então que se dançe novos acordes.
Bela Malta

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Não- Morrer



 Cortaram minhas asas
Sem nem sequer me prevenirem.
Simplesmente cortaram-nas!

Com navalha afiada,
Como quem não quer deixar nascer

Fizeram morrer o que havia de mais bonito,
A liberdade.

E numa dor indelével
Fizeram para o tempo...
E por um breve momento
Deixei-me enfraquecer
Para conseguir viver

(Paula Fernandes Fônseca)

sábado, 20 de novembro de 2010

Restos


Restos de palavras, migalhas de paixão
Vou me constituindo aos restos
Me contentando com pouco
Me fazendo de nada
Para ser alguma coisa

Me faço de tudo
Me perco em pouco
Não me vejo em nada não vejo nada em tudo
Migalhas de um presente ausente, carente de sentido
Tecido de apaixonamento invisível, insensível, incompreensível pela vida
Sombrio desajustado

Deixo o tempo passar e não passa e demora e torna a passar
Então passa aos restos , aos poucos descoloridos
Nos altos descativantes, sóbrios demais
Sondando o sono
O descanço
O mero terminou
Buscando os raios violetas
Flores ao vento
Pétalas no chão a colorir o caminho
Apenas mais um
Bela Malta

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